segunda-feira, 16 de novembro de 2009

OS LIMITES DA EMOÇÃO NA NOTÍCIA


Principais jornalistas de Pelotas comentam em palestra as emoções em cada reportagem



O jornalista convive diariamente com notícias boas e ruins, geralmente as informações são negativas como acidentes de carro,homicídeos,etc. Para isto foi debatido em Pelotas, quinta-feira (12) na Universidade Católica de Pelotas (UCpel) no Centro de Educação e Comunicação uma palestra com o tema "Reportagens no Limite da Razão" . Um evento que faz parte do projeto experimental da acadêmica do 7º semestre de jornalismo Paula Blass,que contou com a presença dos principais jornalistas da cidade,estiveram presentes Maíra Lessa e Dalcira de Oliveira da RBS TV, Nauro Júnior da Zero Hora (ZH),Júliano Silva da Rádio Nativa e Jarbas Tomachewiski do jornal Diário Popular.


O auditório contou com uma grande presença de estudantes de jornalismo, onde ouviram atentamente sobre o trabalho e o dia a dia dos jornalistas. Cada um contou as suas experiências profissionais e de situações que consideravam difíceis e marcantes, como a cobertura ao acidente com o ônibus dos jogadores do Brasil de Pelotas em Janeiro deste ano, as enchentes do meio do ano e outros fatos.Todos foram unânimes ao dizer que o jornalista é um ser humano como qualquer outro e que seria impossível dar uma pausa nos sentimentos durante uma matéria. A coordenadora de jornalismo da RBS TV Pelotas,Dalcira destacou que o jornalista pode não demonstrar na hora da reportagem sua emoção mas ao chegar ao local da edição começa a repensar toda a emoção vivida e acaba sendo tocado. Já a repórter da RBS TV Maira Lessa, disse que muitas vezes a emoção já vem no instante da matéria. “Quando fui cobrir um acidente que matou uma família inteira em Cristal fui avisada no Sábado que Domingo teria que ir e já perdi todo meu final de semana pensando como agir, o que fazer, e no dia só consegui imagens não consegui depoimentos e me senti muito mal por estar lá”, disse.Jarbas Tomachewiski Diario Popular, disse que é natural o envolvimento do repórter que precisa repassar esta emoção para o leitor, mas, destacou o papel do Editor, que é quem não tem envolvimento direto com a ação e acaba tendo uma visão mais racional dos fatos. “Com a emoção o jornalista corre o risco de ficar piegas, se perder e o editor tem que estar ali para ajudar a melhorar a informação. A Tragédia acontece ao nosso lado e temos que estar preparados”, diz. Ele lembra que a notícia tem que sair e se você não fizer alguém irá fazer e divulgar.Juliano Silva repórter policial da Rádio Nativa, mostrou a visão de como isso é trabalhado no rádio onde o radiojornalista acaba tendo que narrar os fatos e com isso ouve muitas pessoas e versões, tendo um envolvimento grande com as partes. Por fim o fotógrafo Nauro Júnior (ZH),falou em um tom descontraído de momentos importantes de sua carreira em que muitas vezes foi dominado pela emoção. “Não faço nada sem me emocionar. Me emociono uma vez por dia. Não tem como ser imparcial, você acaba ouvindo várias versões e processa sempre a que se identifica mais, acaba sendo levado”, disse o autor do livro “A Noite que não acabou” que retrata a tragédia vivida pelo time do Brasil de Pelotas na RS 471 no município de Canguçu. Sobre o livro ele disse que o fez por ser um fato histórico e não que tenha intenção de aproveitar um fato trágico para ganhar dinheiro. “Nesse dia eu tive que dar um boletim para a rádio Gaúcha e quando falei o nome do Millar comecei a chorar”, revela. Nauro e Claudio Milllar – ídolo Xavante morto no acidente – eram grandes amigos. O livro já está na terceira edição e é o mais vendido da feira do livro de Pelotas. "Não tem como não conviver com a emoção,o repórter vive e respira a emoção" comentou Nauro.




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